Ocupacional 

Assim como a luz solar emite radiação ultravioleta, as luzes de lâmpadas fluorescentes e do computador também emitem radiação que pode causar alterações no DNA da pele.

Verão, praia e piscina… Locais de exposição solar intensa e que já faz parte da rotina de muita gente quando o assunto é proteção solar. O que poucas pessoas sabem é que até mesmo ambientes fechados e com luzes artificiais também oferecem riscos à pele.

Isso mesmo: ao contrário do que se pensa, uma pessoa que passa o dia dentro de um escritório precisa cuidar da pele da mesma maneira que alguém que passa o dia diretamente sob a luz do sol. Assim como a luz solar emite radiação ultravioleta (UV), as luzes visíveis de ambientes fechados, como as lâmpadas fluorescentes e a luz do computador, também emitem radiação que pode causar alterações no DNA da pele.

A intensidade da radiação UV é, sem dúvida, muito maior no ambiente externo. Mas ela também penetra através dos vidros das janelas, permitindo que os raios UVA e UVB invadam o lugar. Isso aumenta a possibilidade de danos como o surgimento de marcas de expressão, rugas da pele e, em casos mais graves, câncer de pele.

As lâmpadas fluorescentes emitem uma luminosidade compatível com a luz natural diária e, por isso, também incidem raios UVA e UVB. Ainda que a intensidade dos raios seja menor se comparada à exposição ao sol, também pode provocar alterações na pele.

Segundo o Food and Drug Administration (FDA), órgão responsável pelo controle de alimentos, medicamentos e cosméticos, passar 8h exposto à luz artificial equivale a 1 minuto e 20 segundos de exposição solar. Como os danos são cumulativos ao final de um ano, a radiação será a mesma de cerca de 5h 48 min de exposição ao sol, se considerarmos uma pessoa que trabalhe de segunda a sexta-feira. Desta forma, as consequências da exposição a lâmpadas fluorescentes podem ser tão danosas quanto à solar e causar danos como rugas, flacidez, manchas e até mesmo doenças de pele.

A lógica para o uso de filtro solar em ambientes fechados é a mesma que durante os dias nublados do inverno. Por mais que a incidência solar seja menor do que durante uma ida à praia ou piscina, por exemplo, os raios solares são capazes de penetrar a camada da pele e gerar uma série de alterações. Como o alcance é menor, no entanto, o fator de proteção solar (FPS) indicado para esse dia pode ser mais baixo do que durante uma exposição mais intensa. É importante usar sempre um filtro solar com FPS 20 – 30.

A intensidade dos danos causados pelas luzes é variável. As lâmpadas que aquecem, como as dicroicas, costumam ser mais prejudiciais do que as lâmpadas frias, que emitem radiação em menor intensidade. Já as luminárias e os refletores de consultórios odontológicos, por exemplo, costumam ser mais agressivas por ficarem mais próximas ao rosto.

Infelizmente, o número de pessoas que se previne com o uso diário do protetor solar ainda é pequeno. Por exemplo, mesmo em um país de clima tropical e com sol na maior parte do ano, como o Brasil, a maioria das pessoas só lembra do protetor solar quando vai  à praia ou piscina. Mais alarmante ainda, são os casos das pessoas que se preocupam de fato com a proteção contra a luz visível, que é ainda menor – e um dos principais fatores para isso é a falta de conhecimento sobre estes riscos.