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Como cabeleireiros (e outros profissionais) podem ajudar no diagnóstico do câncer de pele

By março 28, 2018 No Comments

O melanoma cutâneo é um tipo de câncer de pele que tem origem nos melanócitos – as células produtoras de melanina, que, por sua vez, é a substância que determina a cor da pele.

Seu diagnóstico parte da identificação de uma lesão de pele pigmentada, de coloração mista, assimétrica, com mais de 5 milímetros de diâmetro e bordas irregulares, que, além disso, apresenta evolução, de acordo com a descrição presente em uma publicação de 2014 do Ministério da Saúde. Essas lesões, porém, podem se encontrar em lugares menos visíveis, cobertas pelo cabelo na base do pescoço ou no couro cabeludo, por exemplo.

É por isso que o treinamento de profissionais como os cabeleireiros, principalmente, mas também de massagistas ou tatuadores, por exemplo, pode facilitar a detecção desse tipo de mancha.

O diagnóstico em estágio inicial é especialmente importante no caso do melanoma. Isso porque, entre os cânceres de pele, ele é o que apresenta o pior prognóstico: tem alta letalidade e um grande potencial de gerar metástases, a migração do câncer para outros órgãos. Se o encaminhamento para atendimento especializado for feito com agilidade, logo no início, porém, há altas possibilidades de cura, indica o material “Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em Oncologia”, do Ministério da Saúde.

Esforços educativos

Em um estudo publicado no dia 6 de dezembro pelo jornal americano de dermatologia JAMA, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia e da Universidade do Colorado em Denver testaram a eficácia da apresentação de um vídeo, que parte do caso real de uma cabeleireira que recomendou que um cliente procurasse seu médico após identificar uma mancha – a observação salvou sua vida –, complementado com informações sobre o melanoma.

Fatos úteis sobre o melanoma apresentados no vídeo:

  • pode ser encontrado com frequência em pessoas jovens, de 15 a 29 anos
  • pessoas de pele, cabelo e olhos claros apresentam maior risco
  • para esse grupo, prevenir-se da exposição ao sol, sobretudo entre 10h e 14h, é especialmente importante

O material foi assistido por um grupo de 100 cabeleireiros de Los Angeles. O estudo mediu o conhecimento dos profissionais sobre o melanoma e seus riscos, e a autoconfiança que sentiam para identificar lesões, antes e depois de assistirem ao vídeo. Os resultados foram positivos: eles mostraram saber mais e se sentiram mais confiantes. Mas os pesquisadores ainda pretendem realizar outros estudos para avaliar a durabilidade desse aprendizado.

A ideia de contar com a ajuda de cabeleireiros para diagnosticar esse tipo de câncer não é nova. Pelo menos desde 2012, como mostra uma reportagem da BBC, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia vêm defendendo esse tipo de treinamento, que instrui sobre os riscos, a aparência, a incidência do melanoma e o papel decisivo que profissionais de fora da área da saúde podem vir a cumprir para a vida do paciente.

Segundo um estudo publicado em 2016 pelo Annals of Surgical Oncology, em 10% dos casos de melanoma estudados, os pacientes haviam sido encaminhados por cabeleireiros aos centros de saúde dos EUA.

No Brasil, há o programa Juntos Contra o Melanoma, criado pelo Grupo Brasileiro de Melanoma, uma associação médica que atua na prevenção, diagnóstico, acompanhamento, tratamento e pesquisa do melanoma.

A primeira ação do programa foi realizada em agosto de 2017: três workshops gratuitos, ministrados por médicos em São Paulo, para públicos específicos – um direcionado a profissionais de beleza, outro para tatuadores e outro aberto a interessados em geral.

Incidência no Brasil

O câncer de pele é o mais frequente no Brasil, correspondendo a 30% de todos os tumores malignos registrados no País, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Embora, dentro dessa porcentagem, o melanoma corresponda a apenas 3%, ainda segundo o Inca, ele preocupa por sua letalidade e alta chance de metástase. O dado mais recente do número de mortes anuais por melanoma é de 2014: 1.609, de acordo com o Inca. Em 2016, o instituto estima que tenham surgido 5.670 novos casos no país.

Fonte: Nexo Jornal

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