Aprendendo com Você

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Solange Silva

Câncer de pele Melanoma

Essa entrevista foi preenchida em 05/09/2016

  • Instituto Oncoguia – Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?)

Solange – Tenho 54 anos hoje como me encontro desempregada. Trabalho como manicure, tenho três filhos – duas meninas, uma de 8 anos e outra de 16 e um rapaz de 33 anos, não sou casada e moro em Campinas, SP.

  • Instituto Oncoguia – Como foi que você descobriu que estava com câncer?

Solange – Eu tinha uma pinta atrás do joelho já há uns cinco anos, mas nunca me incomodou. Quando no início de 2014 ela começou a coçar e por duas vezes fui à dermato e eles disseram que não passava de uma pinta e que minha pele estava ressecada, por isso a coceira. Em maio do mesmo ano reparei que ela tinha virado uma verruga e que sangrava do nada, aí então fiquei preocupada e procurei o postinho perto de minha casa a médica de imediato me mandou para uma dermato e que de imediato disse que poderia ser um melanoma.

  • Instituto Oncoguia – Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais?

Solange – Minha pinta sangrava do nada, as vezes tomando banho.

  • Instituto Oncoguia – Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico?

Solange – Eu com graças de Deus não tive dificuldades entre o primeiro diagnóstico até a cirurgia final. Levei só só três meses.

  • Instituto Oncoguia – Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou?

Solange – Perdi o chão. Chorei horrores, senti medo, achei que iria morrer. Pensei em minhas filhas, em como elas ficariam. Pensei no meu sofrimento, no tratamento… Foi uma confusão de sentimentos que demoraram para passar.

  • Instituto Oncoguia – Qual foi a sua maior preocupação neste momento?

Solange – Se meu médico realmente está certo em meu tratamento, pelo protocolo eu teria que estar tomando interferon. Mas ele acha que como estou bem, com os exames zerados, o interferon não iria ajudar. Tenho muito medo de metástases.

  • Instituto Oncoguia – Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos?

Solange – Só tenho consultas com onco, dermato e cirurgião plástico. Também tenho demoscopia a cada seis meses e faço exames a cada seis meses (tomo, rx, ultra som).

  • Instituto Oncoguia – Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?

Solange – Ainda não sei, pois não estou em tratamento.

  • Instituto Oncoguia – Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista?

Solange – É meio fria. Se eu pergunto, ele responde em duas palavras, no máximo.

  • Instituto Oncoguia – Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê?

Solange – Com os dermatologistas e cirurgião plástico. Como me trato num hospital faculdade, acho que é protocolo deles. O cirurgião que fiz virurgia de estadiamento com enxerto.

“um diagnóstico como este não é fácil, então chore, grite, viva seu momento de dor e depois respire fundo e viva – e dá melhor maneira possível. Encare o câncer de frente, pois só assim terá chance de derrota-lo”

  • Instituto Oncoguia – Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida.

Solange – Sim, mas só no inicio… Hoje não faço por falta de profissionalismo na área no postinho perto da minha casa.

  • Instituto Oncoguia – Como está a sua vida hoje?

Solange – Normal, mas me sinto com uma adaga apontada pra minha cabeça. Tento não pensar muito, mas não é fácil… A cada dor de cabeça ou apenas um resfriado já acho q as coisas estão se complicando…

  • Instituto Oncoguia – Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer?

Solange – Sim. Eu fiquei desempregada, então fiz cursos e hoje trabalho como depiladora e manicure.

  • Instituto Oncoguia – Você buscou seus direitos? Se sim, quais?

Solange – Não… Acho que no meu caso eu ainda não tenho direito, não é?

  • Instituto Oncoguia – Quais são seus projetos para o futuro

Solange – Ver minhas filhas crescerem e tentar a vida o mais leve possível. Não quero fazer muitos planos.

  • Instituto Oncoguia – Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Solange – Que um diagnóstico como este não é fácil, então chore, grite, viva seu momento de dor e depois respire fundo e viva – e dá melhor maneira possível. Encare o câncer de frente, pois só assim terá chance de derrota-lo.

  • Instituto Oncoguia – Como você conheceu o Oncoguia?

Solange – Através da internet, pesquisando sobre melanoma.

  • Instituto Oncoguia – Você tem alguma sugestão a nos dar

Solange – Que vocês continuem assim, sempre nos ajudando.

  • Instituto Oncoguia – O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros!

Solange – Que facilitem os tratamentos, não deixem morremos sem tentar. Sabemos que os remédios são caros e que o país está em crise, mas se cada um dos governantes deixarem de pensar em si próprios e deixarem de encher os bolsos, o país terá mais dinheiro em caixa para nossos medicamentos.