Aprendendo com Você

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Semíramis

Câncer de pele Melanoma

Essa entrevista foi preenchida em 09/09/2013

  • Instituto Oncoguia – Você poderia se apresentar?Semíramis – Meu nome é Semíramis, tenho 53 anos, moro em Belo Horizonte, MG. Sou uma pessoa simples, trabalho na Cia. de Saneamento de MG e nas horas de folga gosto de cuidar da minha casa, pesquisar coisas na internet, fazer artesanatos, lembrancinhas diversas pra amigos e pessoas da família.
  • Instituto Oncoguia – Qual seu tipo de Câncer?Semíramis – Tenho melanoma em fase metastática.Instituto Oncoguia – Como foi que você descobriu que estava com câncer?Semíramis – Achei um pequeno caroço na nádega quando tomava banho, há quase 9 anos. Não liguei muito, parecia uma picada de inseto, coçava muito. Demorei pra ter curiosidade de olhar com um espelho. Quando vi, era uma pinta preta, já bem grande. Aí, comentei com uma amiga e dermatologista que já soube de cara o que era. Me  encaminhou no mesmo dia pra um outro médico, retirei a pinta, fiz biópsia e… BINGO!

    Instituto Oncoguia – Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu?

    Semíramis – No início não liguei muito, afinal, era um melanoma, um câncer de pele. Não sabia muito a respeito, achei que era uma coisa à toa. Na verdade, nem acreditei muito, já que achava que câncer de pele só dava em lugar onde pegasse sol. Mas, depois da biópsia, comecei a pesquisar tudo sobre o assunto e vi que era grave.

    Instituto Oncoguia – Qual foi a sua maior preocupação neste momento?

    Semíramis – Bom, meu resultado acusou o melanoma já em nível 4 de Clarck, o que é ruim, pois quanto mais alto o nível de Clarck, mais difícil. Mas, iniciei o tratamento de imediato.

    Instituto Oncoguia – O que aconteceu depois disso?

    Semíramis – Fiz uma outra cirurgia pra aumentar a margem de segurança. Foi meio complicado por causa do local. Fiquei um tempo sem poder sentar, tinha que dormir de lado e por um travesseiro nas costas pra não virar dormindo. Comia de pé. Meio desconfortável, né?

    Instituto Oncoguia – Você já começou o tratamento?

    Semíramis – Sim, logo que passou o pós-cirúrgico, fiz um ano de tratamento com uma droga chamada Interferon.

     

“Acho que hoje em dia, ter câncer já não é um bicho de 7 cabeças. Cada caso é um caso, mas encarar a realidade sem desespero é muito importante.”

  • Instituto Oncoguia – Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?Semíramis – Tenho muita dificuldade com a quimioterapia. Sou mole de estômago, enjoo muito, perco o apetite e vomito o tempo todo.Instituto Oncoguia – Você teve efeitos colaterais? Qual o pior?Semíramis – Costumo brincar, dizendo que sou a que tem todos os efeitos colaterais: enjoo, vômitos, dores nas articulações, queda de cabelos… O pior, pra mim, é a sensação de náusea, praticamente constante durante a quimio.

    Instituto Oncoguia – Como foi a relação com o seu médico?

    Semíramis – Nossa, muito boa. Minha oncologista e o cirurgião que me acompanham são maravilhosos, gentis, me tiram todas as dúvidas, não me escondem nada.

    Instituto Oncoguia – Com que outro profissional você se relacionou?

    Semíramis – Minha dermatologista, a que descobriu o melanoma, me pede notícias sempre, é uma pessoa incrível, muito fofa!

    Instituto Oncoguia – Você fez acompanhamento psicológico?

    Semíramis – Durante um tempinho. Eu já fazia terapia, aí comecei a focar mais na doença. Minha terapeuta é mais que profissional, é uma grande amiga. Me visitou todos os dias no hospital quanto tive embolia.Tenho tido apoio total, tanto dos médicos quanto da minha família e amigos.

    Instituto Oncoguia – E com nutricionista?

    Semíramis – Não, não achei necessário. Tive orientações na clínica, recebi alguns folhetos e li muito na internet.

    Instituto Oncoguia – Você está em tratamento ou já finalizou?

    Semíramis – Ainda estou.  Depois do ano de tratamento com interferon, passei 5 anos sem nenhum sintoma. Achei que estava curada. Mas, em julho de 2010, no entanto, achei outro nódulo na virilha. Tiramos imediatamente e foi constatada a primeira metástase. Voltei pro tratamento, agora quimioterápico. De lá pra cá tive alguns contratempos. Trombose hepática, por conta da quimio, seguida de embolia pulmonar. Fiquei 17 dias internada, correndo risco grave de morte. Tive mais metástases espalhadas no abdômen, tirei a cauda do pâncreas e o baço.

    Instituto Oncoguia – Como está a sua vida hoje?

    Semíramis – Continuo na luta. Essa semana descobrimos um novo melanoma na lateral da coxa esquerda. Vai ser marcada uma nova cirurgia pra retirada. Depois devo fazer rádio e novas sessões de químio.

    Instituto Oncoguia – Conte-nos sobre seu trabalho e planos para o futuro.

    Semíramis – Trabalho com Tecnologia da Informação, mas, por conta do tratamento, atualmente estou de licença. Meus médicos são muito francos. Sei que o melanoma metastático na fase em que me encontro é, praticamente, incurável. Felizmente, a doença ainda não atingiu nenhum órgão vital. Então, sigo na fé, fazendo tudo que é necessário e procurando estar, na medida do possível, otimista. Tenho meus momentos de fraqueza, fico imaginando como será daqui pra frente, o que posso esperar, mas procuro evitar isso por muito tempo. Faço coisas que gosto, me distraio com tudo que me dá prazer. Enfim, acredito, de verdade, que o que tiver que ser, será.

    Instituto Oncoguia – Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

    Semíramis – Acho que hoje em dia, ter câncer já não é um bicho de 7 cabeças. Cada caso é um caso, mas encarar a realidade sem desespero é muito importante.

    Instituto Oncoguia – Qual a importância da informação durante o tratamento de um câncer?

    Semíramis – Bom, pra mim, é essencial. Tenho necessidade de saber como estou, o que posso esperar, conhecer o máximo possível sobre a doença e meu estado real.

    Instituto Oncoguia – Você buscou se informar? De que maneira?

    Semíramis – Brinco que sou quase uma especialista em melanoma. Converso com meu médico cirurgião, que é um pesquisador oncológico. Aprendi muito com ele. Leio tudo que posso, procuro informações, participo de comunidades, acompanho as novas pesquisas, medicações em testes, etc. Enfim, tenho hoje um conhecimento muito grande sobre melanoma.

    Instituto Oncoguia – Como você conheceu o Oncoguia?

    Semíramis – Uma amiga do Facebook me convidou a participar.

    Instituto Oncoguia – Você tem alguma sugestão a nos dar?

    Semíramis – Apenas que continuem esse trabalho tão bacana. É muito importante pra nós saber que temos com quem contar, onde procurar informações, apoio.

    Instituto Oncoguia – Você sabia que possuímos um trabalho focado na melhoria da situação do Câncer no Brasil? Estamos sempre em contato com políticos e gestores que podem ajudar a melhorar as políticas públicas brasileiras relacionadas ao câncer. Se você fosse mandar um recado para um político, o que você gostaria que mudasse ou melhorasse considerando tudo o que você passou?

    Semíramis – Sinceramente? Sei que é triste dizer isso, mas não acredito que haja políticos interessados em ajudar, a não ser que eles ou seus familiares mais próximos passem por isso. Vi e vejo muito sofrimento de pessoas sem condições e sem um mínimo de apoio do SUS. Pais e mães que vem do interior e não tem, sequer, o que comer enquanto esperam pelo tratamento de seus filhos.  É mesmo lamentável, mas quando vejo as campanhas, por exemplo, de câncer de mama, que o governo divulga, chego a sentir raiva. Me considero privilegiada por ter um plano de saúde, mas tenho pessoas na família que não tem e quando precisaram de atendimento público, foram muito mal atendidas. Se esse recado fosse mesmo repassado, queria dizer a eles que tomassem vergonha na cara. Que parassem de roubar e se importassem, um mínimo, com as pessoas que os elegem. Me desculpem!