Aprendendo com Você

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Michele Goulart dos Santos

Câncer de pele Melanoma

Essa entrevista foi preenchida em 12/10/2015

  • Instituto Oncoguia – Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?)

Michele – Meu nome é Michele Goulart dos Santos, 39 anos, sem filhos, com companheiro há 11 anos e casamento marcado para dia 21 de novembro de 2015. Moro em Alvoradano, estado do RS. Sou psicóloga clínica e Organizacional. Hoje só trabalho na área clínica. Minha empresa na qual dedicava mais de 15 anos de trabalho me demitiu 8 meses depois por preconceito e por não aceitar que eu diminuísse meu ritmo de trabalho. fiquei menos de um mês afastada. Mas quando voltei pedi para não trabalhar mais tanto. para não fazer hora extra diariamente. Enfim, sofri por 8 meses com chacotas em relação a minha doença até que fui demitida. Hoje agradeço a Deus de não estar perto de pessoas assim.

  • Instituto Oncoguia – Como foi que você descobriu que estava com câncer?

Michele – Era fim de novembro de 2012 coloquei um vestido e percebi um sinal grande em minha perna. Senti que o mesmo coçava. uma pessoa me chamou atenção pois o sinal era parecido com o que o seu pai teve e faleceu por ser um câncer de pele tipo melanoma. Uma semana depois comecei a buscar na Internet e vi fotos iguais ao meu sinal. Decidi imediatamente ir à minha dermato. lá a mesma decidiu por uma biopsia. uma semana depois saiu o resultado. Melanoma fase 1.

  • Instituto Oncoguia – Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais?

Michele – Sim. A mancha cresceu rapidamente e coçava, mas nunca doeu. Esses são características do Melanoma.

  • Instituto Oncoguia – Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico?

Michele – O exame da biopsia foi muito objetivo. Não deixava dúvidas. Embora o mesmo foi repetido para confirmação. Não esperei. Quando vi a possibilidade de q poderia ser um melanoma e da gravidade desse câncer, imediatamente optei junto com indicações médica pela biopsia e o resultado foi rápido e assertivo.

  • Instituto Oncoguia – Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou?

Michele – É muito difícil. Durante o tempo de espera do resultado da biopsia sempre fui muito confiante. Acreditava que não seria um melanoma. Comigo não. Isso só acontece com os outros. Quando recebi por email o laudo do laboratório minha reação foi desespero. Achei que tudo estava acabado e que morreria. Até então só conhecia uma pessoa que teve Melanoma e essa havia falecido. Chorei por 2 horas sem parar. Mas eu precisava tomar as providências que minha dermato já havia me dito que teria que fazer caso s biopsia desse positiva. Liguei para ela contei e a mesma disse que não iria me enganar. Sim era grave, mas íamos resolver. Minha dermato ligou para laboratório e pediu outra avaliação. ligou para um Oncologista amigo seu e agendou consulta para dois dias após.

  • Instituto Oncoguia – Qual foi a sua maior preocupação neste momento?

Michele – Tive medo de morrer e não poder mais cuidar de meu sobrinho Pedro que é autista e na época tinha 4 aninhos. Foi nele e na minha família que pensei. Foi por ele e pela minha família que horas depois do diagnóstico, de explicações de minha dermato que surgiu o sentimento de que tudo bem se é isso ok. Vou lutar e vencer. Ainda na madrugada desse dia chorei. Depois da consulta com meu oncologista só adquiri mais força.

“Eu quero viver. Viver bem e feliz. Hoje valorizo muito as pequenas coisas. Tenho planos de zerar uma escola especializada em crianças com autismo aqui em Alvorada.”

  • Instituto Oncoguia – Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos?

Michele – Eu iniciei o tratamento em dezembro de 2012. fiz duas cirurgias. Meu melanoma foi na perna. Isso dificultava para eu caminhar. Demorei dias para poder caminhar e meses para conseguir fazer as atividades normais como caminhar sem mancar, dirigir sem medo. Na época eu nadava e precisei parar. Voltei somente um ano depois. Minha cicatrização foi difícil por que na primeira biopsia houve infecção, pois não parei de trabalhar e isso forçou muito e os pontos arrebentaram. Meu tratamento cai até dezembro de 2017. Basicamente se resume em visitas trimestrais em dermato. Consultas com oncologista e exames. Desde o diagnóstico, cirurgia, tratamento que foi dezembro de 2012 não tive metástase. Tive alguns outros sinais suspeitos biopsiádos mas que deram negativo. Uso protetor solar todos os dias, fator 60. Tomo medicamentos.

  • Instituto Oncoguia – Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?

Michele – Graças a Deus não considerei nada difícil. Não precisei de quimioterapia. Acompanho sistematicamente e não tive indícios de metástase. Estava na fase 1 então a cirurgia resolveu.

  • Instituto Oncoguia – Você sentiu algum efeito colateral diante ao tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou?

Michele – Eu tive mais reações psicológicas do que física. Sofri desrespeito no meu emprego. Como fiz tudo particular, pois talvez se deixasse mais tempo o câncer podia dar metástase eu precisava trabalhar para pagar meu tratamento e era bastante humilhada. Acredito nos médicos do SUS, mas seria demorado tudo e então fiz tudo particular.

  • Instituto Oncoguia – Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista?

Michele – Muito boa. Passou tranquilidade e explicações. Profissional competente e humano.

  • Instituto Oncoguia – Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê?

Michele – Sim. dermato como já citei. outros tantos, pois as revisões precisam ser feitas como ginecologista, dentistas e etc. A saúde deve estar sempre em dia.

  • Instituto Oncoguia – Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida.

Michele – Sim. Como sou psicóloga sei da importância de uma pessoa capacitada para auxiliar em momento difícil. Fiz e faço até hoje terapia e digo que todas as pessoas que passam por um câncer precisam de uma ajuda psicológica.

  • Instituto Oncoguia – Como está a sua vida hoje?

Michele – Hoje estou bem. Tenho vida normal, mas sem exposição ao sol. Fazendo as consultas necessárias. Estou me pregando para engravidar. Estou feliz, embora eu saiba que tenho risco de ter outros melanomas bem maiores do que outras pessoas e que os cuidados são para o resto da vida.

  • Instituto Oncoguia – Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer?

Michele – Eu nunca parei, somente quando fui demitida. Hoje busco mais qualidade de vida. Tenho meu consultório.

  • Instituto Oncoguia – Você buscou seus direitos? Se sim, quais?

Michele – Não saberia dizer dos meus direitos. Apenas coloquei s empresa da qual trabalhei e fui muito desrespeitada na justiça e a mesma já foi condenada 2 vezes.

  • Instituto Oncoguia – Quais são seus projetos para o futuro?

Michele – Eu quero viver. Viver bem e feliz. Hoje valorizo muito as pequenas coisas. Tenho planos de zerar uma escola especializada em crianças com autismo aqui em Alvorada.

  • Instituto Oncoguia – Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Michele – Vai atrás de tudo que puder. busque orientação. pergunte, questione. Não tenha medo de saber tudo por pior q seja. o tempo é importante em alguns casos. Prevenção é tudo. Acima de tudo acredite que você é capaz de passar por isso. Difícil é mas é possível.

  • Instituto Oncoguia – Como você conheceu o Oncoguia?

Michele – Através da Internet.

  • Instituto Oncoguia – Você tem alguma sugestão a nos dar?

Michele – Gosto das dicas e reportagens de vocês.

  • Instituto Oncoguia – O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros!

Michele – O atendimento tem que ser rápido. As um mês é o diferencial entre viver e morrer. a entre um tratamento mais simples ou mais invasivo. Invistam em prevenção e nos casos de diagnóstico positivo o tratamento tem q ser rápido.