Aprendendo com Você

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Juliana Moro Pires

Câncer de pele Melanoma

Essa entrevista foi preenchida em 18/11/2015

  • Instituto Oncoguia – Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?)

Juliana – Tenho 32 anos, sou artista plástica, tenho uma filha de 1 ano e 9 meses e moro na cidade de São Paulo.

  • Instituto Oncoguia – Como foi que você descobriu que estava com câncer?

Juliana – Descobri quando estava grávida de 6 meses. Um pouco antes de engravidar já sentia um carocinho no meu couro cabeludo, mas ele sumia e voltava a aparecer. Quando engravidei ele começou a crescer muito e então fiz a biopsia que confirmou o melanoma.

  • Instituto Oncoguia – Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais?

Juliana – O único sinal que apareceu foi um caroço pequeno, como se fosse uma espinha, no couro cabeludo. A pinta só surgiu depois, quando já estava fazendo acompanhamento com o dermatologista.

  • Instituto Oncoguia – Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico?

Juliana – A única dificuldade foi que, devido ao inicio da gravidez eu tive que esperar alguns meses para realizar a biopsia à pedido da obstetra, pois tive algumas complicações no inicio da gestação e ela não queria me submeter a uma biopsia, mesmo sendo algo simples.

  • Instituto Oncoguia – Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou?

Juliana – Fiquei chocada e imensamente preocupada, principalmente por causa da minha bebê. Não fazia ideia do que era um Melanoma e não tinha ideia do que aconteceria.

“Quero acompanhar o crescimento da minha filha, quero voltar a trabalhar! Mas agora, mais do que tudo, quero dedicar mais tempo para minha família e amigos. Tenho muitos projetos! O câncer nunca tirou minha vontade de viver e de sonhar!”

  • Instituto Oncoguia – Qual foi a sua maior preocupação neste momento?

Juliana – Meu maior medo era que o câncer chegasse até minha filha ou que ele pudesse atrapalhar minha gestação. Inicialmente, o primeiro médico sugeriu interromper a gravidez, mas eu não quis e procurei uma segunda opinião, que teve um maior cuidado com a situação e junto com a obstetra chegaram a um acordo de até quando eu poderia aguardar para realizar a cirurgia.

  • Instituto Oncoguia – Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos?

Juliana – Sim, logo que minha filha nasceu eu realizei a retirada do tumor e um mês depois já iniciei o primeiro tratamento com Interferon.

  • Instituto Oncoguia – Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?

Juliana – O pior de todos até agora foi o Interferon. Os efeitos colaterais foram intensos, tanto que tive o tratamento interrompido por toxidade.

  • Instituto Oncoguia – Você sentiu algum efeito colateral diante ao tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou?

Juliana – Os efeitos eram vários. Muita febre, dores fortes pelo corpo, enjoos, vomito, prisão de ventre, manchas pelo corpo…enfim, muitas coisas. Fiz uso de analgésicos por todo o período, que não resolvia muito. O que melhor me auxiliou foi o uso da acupuntura.

  • Instituto Oncoguia – Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista?

Juliana – Inicialmente eu não me sentia muito segura, achava que existia uma certa distância…mas com o tempo fui me acostumando e hoje temos uma ótima relação.

  • Instituto Oncoguia – Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê?

Juliana – Na área da oncologia tive contato com toda a equipe médica da área de quimioterapia (médicos, enfermeiros e auxiliares) além de fazer acompanhamento com cardiologista devido a alguns problemas de arritmia apresentados durante o tratamento com interferon.

  • Instituto Oncoguia – Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida.

Juliana – Sim. Desde o inicio do meu tratamento fui encaminhada ao Psiquiatra e sigo o tratamento até hoje com medicação para ansiedade. Este tratamento e acompanhamento foi essencial para minha jornada durante todas as etapas que passei e ainda estou passando.

  • Instituto Oncoguia – Como está a sua vida hoje?

Juliana – Minha vida está muito diferente do que era antes do câncer. até porque hoje sou mãe, então as duas mudanças vieram de forma muito forte na minha vida.

  • Instituto Oncoguia – Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer?

Juliana – Devido à gravidez e a sequencia com o tratamento, fui afastada do meu trabalho e continuo assim ainda hoje.

  • Instituto Oncoguia – Você buscou seus direitos? Se sim, quais?

Juliana – Sim. Usei meu FGTS devido aos gastos durante todo esse processo. Também solicitei a liberação do rodízio municipal de veículos para que eu pudesse realizar o tratamento sem problemas, já que estava 3 vezes por semana no hospital.

  • Instituto Oncoguia – Quais são seus projetos para o futuro?

Juliana – Quero acompanhar o crescimento da minha filha, quero voltar a trabalhar! Mas agora, mais do que tudo, quero dedicar mais tempo para minha família e amigos. Tenho muitos projetos! O câncer nunca tirou minha vontade de viver e de sonhar!

  • Instituto Oncoguia – Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Juliana – Diria para ter calma, mesmo sendo a coisa mais absurda para se dizer num momento como esse. Não é o fim do mundo nem um atestado de óbito! Existem muitos tratamentos e altas chances de cura! Temos que confiar e acreditar!

  • Instituto Oncoguia – Como você conheceu o Oncoguia?

Juliana – Pesquisando sobre a doença no google.

  • Instituto Oncoguia – O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros!

Juliana – Que os protocolos de pesquisas fossem ampliados, mas principalmente, que os pacientes do SUS tivessem acesso a essas pesquisas. Que houvesse uma campanha de prevenção com mais força! No caso do melanoma, que o Governo Federal colocasse o filtro solar como item de distribuição gratuita nos postos de saúde, assim como é feito com a camisinha, pois vivemos num país tropical e isso é uma questão de saúde pública!