Aprendendo com Você

Os pacientes buscam trocar informações, conhecer outras histórias e também, dividir esperanças e vitórias

Claudia Silva de Souza

Câncer de pele Melanoma

Essa entrevista foi preenchida em 28/12/2015

  • Instituto Oncoguia – Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?)

Claudia – Boa tarde! Me chamo Claudia, sou negra, moro em Triunfo/RS, tenho 34 anos, sou casada há 16 anos com um marido maravilhoso que se chama Nilson e tenho um filho com 15 anos que se chama Charles Grégory. No momento, estou grávida de 4 meses.

  • Instituto Oncoguia – Como foi que você descobriu que estava com câncer?

Claudia – Na minha perna direita tinha um sinal que conviveu comigo desde pequena, lembro que na infância ele era mais junto da pele, porém era bem escuro. Com o passar do tempo ele foi ficando saliente, tinha bordas irregulares e eu mesmo assim, costumava dizer que era “meu charme”. Até que comecei desconfiar.

  • Instituto Oncoguia – Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais?

Claudia – Certa vez fui ao dermato por conta dos melasmas e a médica deu uma olhada no sinal da perna e me disse que estava tudo bem.Tempos depois apresentei alguns sintomas, como: coceira, vermelhidão ao redor e prurido, sendo que no meio dele havia uma mancha branca.

  • Instituto Oncoguia – Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico?

Claudia – Nenhuma, fui pra internet ler a respeito e percebi que os sintomas do melanoma eram os mesmos que eu tinha. Entrei em contato com o dermato e no mesmo dia da consulta ele fez uma rápida cirurgia e enviou o material para fazer uma biópsia, porém já havia me deixado sobre aviso de que poderia ser uma melanoma, embora fosse bem superficial.

  • Instituto Oncoguia – Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou?

Claudia – Havíamos deixado uma nova consulta marcada para quinze dias depois da cirurgia, mas por conta do diagnóstico e da pressa para realizar os demais exames, o Dermato me ligou e me deu a notícia por telefone mesmo, uma semana depois. Na hora eu gritei, chorei, não escutava o que ele me falava. No chão parecia ter aberto um buraco onde eu caí para dentro. Perguntei se iria morrer… Foi horrível a sensação.

  • Instituto Oncoguia – Qual foi a sua maior preocupação neste momento?

Claudia – Se eu iria morrer e deixar meu filho. Eu havia começado a fazer uma nova casa, queria começar uma nova vida. Mas o médico foi tão ágil e interessado que ele mesmo antes de me ligar havia entrado em contato com uma oncologista em Porto Alegre que abriu uma vaga para me consultar, embora sua agenda estivesse lotada.

  • Instituto Oncoguia – Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos?

Claudia – O fato ocorreu em novembro de 2012 e como o médico me deu a noticia por telefone, agilizamos tudo. Consultei com a oncologista na Santa casa de Misericórdia de Porto Alegre e em nove dias havia feito todos os exames e a cirurgia de ampliação de margem também. Fiz pet ct oncológico, ressonância magnética, linfonodolo sentinela, rx pulmões, ecografia, sangue, enfim… A cirurgia de ampliação foi feita em dezembro de 2012, dia 21 e dia 3 de janeiro de 2013 fui pegar o resultado e caí de costas com o resultado de uma micro metástase de 0,79 mm em um único linfonodolo retirado para a biópsia. Resultado? Uma nova cirurgia de esvaziamento inguinal e que graças a Deus estava sem mais nenhuma micrometástase.

“A cada seis meses faço exames para acompanhar, até agora não apareceu mais nada. A única coisa boa que apareceu foi uma bênção, um bebê que está em meu ventre e que nascerá em maio de 2016. Estamos felizes, gratos A Deus e aos médicos que me ajudaram.”

  • Instituto Oncoguia – Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?

Claudia – Após três meses iniciei o tratamento com interferon e durante quatro semanas fiz a medicação direto na veia. Depois, três vezes por semana, fazia uma injeção em volta do umbigo até se completarem um ano.

  • Instituto Oncoguia – Você sentiu algum efeito colateral diante ao tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou?

Claudia – Sim, no primeiro dia foi terrível e depois só piorou, mas eu não desisti nunca, tinha muita força, família unida e muita fé, entreguei minha vida nas mãos de Deus. Tinha vômitos, febre, dores nas articulações, alucinações, dores no corpo todo, diarreia, etc…

  • Instituto Oncoguia – Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista?

Claudia – Tenho duas oncologistas, uma que fez a cirurgia e me acompanha até hoje, a doutora Marília Espíndola, que atende na Santa Casa e a doutora que me prescreveu o tratamento, Alessandra Notari. Também tenho dois dermatos.

  • Instituto Oncoguia – Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê?

Claudia – São meu Porto seguro, sempre me apoiaram e explicaram tudo que poderia acontecer comigo, nunca me esconderam nada e tudo ficou mais fácil, me elogiavam por sempre seguir a risca as recomendações.

  • Instituto Oncoguia – Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida.

Claudia – Sim! A clinica onde me tratei fornecia o tratamento gratuito para mim e também para os meus familiares, mas somente fiz o acompanhamento. Os psicólogos sempre me entenderam muito bem, me explicavam e ouviam minhas angustias e meus medos.

  • Instituto Oncoguia – Como está a sua vida hoje?

Claudia – A cada seis meses faço exames para acompanhar, até agora não apareceu mais nada. A única coisa boa que apareceu foi uma bênção, um bebê que está em meu ventre e que nascerá em maio de 2016. Estamos felizes, gratos A Deus e aos médicos que me ajudaram.

  • Instituto Oncoguia – Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer?

Claudia – Sim! Parei somente nos primeiros meses e depois retornei ao trabalho por questões financeiras, principalmente, mas também porque eu gosto de trabalhar. Não me pergunte como consegui, Foi Deus quem me deu forças em um momento tão difícil.

  • Instituto Oncoguia – Você buscou seus direitos? Se sim, quais

Claudia – Sempre soube dos meus direitos, mas em muitos eu não me enquadrava, pois não tenho sequelas.

  • Instituto Oncoguia – Quais são seus projetos para o futuro?

Claudia – Curtir minha vida, minha família, trabalhar e ajudar sempre o próximo, estando preparada para enfrentar o que Deus mandar.

  • Instituto Oncoguia – Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Claudia – Escute seu médico, faça todos os exames possíveis, realize seu tratamento a risca e em primeiro lugar entregue-se a Deus e ele tudo o fará.

  • Instituto Oncoguia – Como você conheceu o Oncoguia?

Claudia – Minha psicóloga me apresentou o site e minha médica também me falou que no Oncoguia poderia esclarecer todas as duvidas. Gostaria de mais tarde compartilhar com vocês a bênção que irei receber: meu bebe que ainda não sei o sexo.

  • Instituto Oncoguia – Você tem alguma sugestão a nos dar?

Claudia – Sim! Que esclarecessem as pessoas que negros como eu também correm o risco de ter melanoma, não só pessoas de pele clara. E que continuem a esclarecer e ajudar cada vez mais quem enfrenta esse tipo de doença.