Mitos e verdades sobre o câncer de pele

Ao contrário do que muita gente pensa, as estações mais frias como outono e inverno também oferecem riscos de câncer de pele.

Quando supostamente o sol não apresenta perigo, ações preventivas fundamentais são deixadas de lado como o simples hábito de aplicar protetor solar.  A exposição excessiva à radiação ultravioleta é um fator de risco muito importante para o desenvolvimento da doença e a prevenção é fundamental durante o ano inteiro, inclusive nos dias frios.

“Durante o inverno os raios ultravioletas podem ser tão fortes e prejudiciais quanto no verão. O Brasil é considerado um dos países com maior insolação do mundo em virtude de sua localização geográfica”, afirma Elimar Gomes, dermatologista, presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma e membro do Comitê Científico do Instituto Melanoma Brasil.

No mês internacional de combate ao melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, o Instituto Melanoma Brasil, ONG que atua na divulgação e conscientização da doença, alerta a população com medidas preventivas de fotoproteção e a importância do diagnóstico precoce desta neoplasia.

Recentemente, a ONG fez pesquisa com 100 pacientes e 56% deles não sabiam o que era melanoma antes de receberem o diagnóstico. Apesar das frequentes campanhas sobre a importância dos cuidados com a pele durante a exposição solar, o câncer de pele continua sendo o mais frequente no Brasil, representando 30% de todos os tumores malignos registrados. O câncer de pele sozinho apresenta mais casos do que os outros 17 tipos de tumores, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

A neoplasia que acomete a pele se divide em dois tipos: não melanoma e melanoma. O melanoma é o mais grave dos tumores de pele devido à sua alta possibilidade de metástase. Esse tipo de câncer é originado nos melanócitos – células que produzem a melanina, substância que determina a cor da pele – e representa apenas 5% das neoplasias malignas da pele, mas é o de maior gravidade e mortalidade devido a sua alta chance de produzir metástases – quando as células tumorais comprometem outros órgãos tais como fígado, pulmões e cérebro.

Segundo o Inca em 2016, a estimativa de novos casos de melanoma foi de 5.670, sendo 3.000 em homens e 2.670 em mulheres. “O melanoma avançado é responsável por mais de 1,5 mil mortes por ano no Brasil. Esse número é muito alto para uma doença com chances de cura superiores a 90% se diagnosticada nas suas fases mais iniciais”, explica o dermatologista.

“Dentre os cânceres não melanoma há o carcinoma basocelular (CBC) – mais frequente, porém menos agressivo – causado pela exposição inadequada ao sol e de fácil surgimento em áreas descobertas e expostas, como: face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas; e  o carcinoma espinocelular, também conhecido como epidermoide, sendo considerado o mais agressivo e de crescimento mais rápido pelos especialistas”, explica Andreia Cristina de Melo, oncologista clínica do Grupo Oncologia D’Or.

De acordo com Elimar, uma das formas de facilitar o diagnóstico precoce do melanoma é realizar mensalmente o autoexame da pele, seguindo a regra ABCDE para avaliar a aparência das pintas: A. Assimetria: a metade da pinta não “casa” com a outra metade; B. Bordas irregulares: as pintas são dentadas, chanfradas, com sulcos; C. Cores: a coloração não é a mesma em toda a pinta, há diferentes tons de marrom, preto e, às vezes, azul, vermelho ou branco; D. Diâmetro: a pinta é maior do que 5 mm (0,5 cm); E. Evolução: mudanças da aparência ou crescimento rápido de uma pinta.

Luta pela conscientização

Após receber o diagnóstico de melanoma, Rebecca Montanheiro decidiu abrir a ONG Melanoma Brasil para atuar na divulgação e conscientização da doença. Ela percebeu que no Brasil haviam poucos locais de informação sobre o tema, além de não existir nenhum espaço para compartilhamento de informações e experiências entre pacientes.  Atualmente o Melanoma Brasil tem mais de 200 pacientes cadastrados em que oferece informações e suporte para pacientes e familiares.  E agora para marcar o mês de combate, acabam de lançar campanha de conscientização e informação com a participação de pacientes reais e a atriz Flávia Alessandra, que nesta edição é a embaixadora.

Confira as dicas de fotoproteção e prevenção recomendadas pelo especialista

  • Evite a exposição solar das 10h às 16h.
  • Aplique o protetor solar todos os dias, independentemente do clima.
  • Use produtos com proteção contra radiação UVA e UVB e que tenha fator de proteção solar (FPS) 30 ou maior. Faça aplicações a cada duas horas se estiver na piscina ou em atividades ao ar livre.
  • Na praia ou nas atividades ao ar livre, passe uma camada generosa de protetor solar. É importante aplicar o produto cerca de 15 minutos antes de sair de casa.
  • Reaplique o protetor solar a cada três horas. Caso tenha transpirado ou entrado em contato com água, reaplique o produto, mas sempre com o corpo seco.
  • Na praia e nas atividades ao ar livre é recomendado o uso de chapéu, óculos escuros e camiseta.
  • Faça o autoexame regular da pele. Fique atento a qualquer tipo de alteração.
  • Consulte um dermatologista sempre que notar alguma alteração na pele ou pelo menos uma vez por ano para um exame completo
  • Siga hábitos saudáveis de vida, pratique atividades físicas regularmente e mantenha alimentação balanceada e rica em vitaminas.

Mitos e verdades sobre o melanoma

A oncologista Andreia Cristina de Melo listou os principais mitos e verdades sobre o assunto:

Indivíduos de pele, cabelos e olhos claros têm mais chances de desenvolver o carcinoma basocelular (CBC)

Verdade –  pessoas com menos pigmento na pele têm menos proteção contra as radiações UV e, por consequência, têm mais risco de desenvolver câncer de pele.

Toda pinta escura é câncer de pele

Mito –
A pinta precisa ser examinada pelo dermatologista para avaliação. Somente após, o especialista indicará a retirada ou não da pinta e se o paciente precisará buscar um oncologista.

Queimadura pode se tornar um tumor de pele

Verdade – É raro, mas pode acontecer, principalmente com as grandes cicatrizes. É preciso observar mudanças na pele da cicatriz e buscar um especialista caso alguma diferença seja notada.

Feridas que não cicatrizam podem ser um sinal

Verdade – Esse pode ser um sinal assim como feridas que não cicatrizam, sangram, são elevadas e têm formas irregulares. Ao primeiro sinal é preciso buscar um especialista para avaliação.

Na sombra não é preciso passar filtro solar

Mito – Mesmo na sombra é preciso passar o protetor solar, pois não estamos livres dos raios ultravioleta.

O guarda sol protege completamente contra os raios solares

Mito – Mesmo na sombra do guarda-sol não podemos descuidar da proteção solar, pois a areia e a água do mar refletem a radiação solar expondo a pele aos raios ultravioleta.

Câncer não -melanoma pode evoluir para melanoma

Mito – Tratam-se de lesões distintas.

Melanoma não tem cura

Mito – Tem cura sim, principalmente quando descoberto em estágios iniciais.

O protetor solar é realmente importante na proteção da pele

Verdade – O filtro solar é uma das principais formas de proteção da pele contra a emissão de raios ultravioleta sendo um importante fator de proteção do câncer de pele.

Somente regiões expostas ao sol podem ser afetadas

Mito – Em qualquer região pode surgir um melanoma. Existem as áreas crônicas que são as mais expostas ao sol, mas outras áreas como pés, entre os dedos, unhas, boca, vulva, ânus, vagina e pênis também podem ser afetadas pela neoplasia de pele.

Fonte: O Dia

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